


A TAP tem servido para ocupar um enorme espaço nos jornais. Contudo, a fome em Portugal cresce e ninguém a quer ver. Em 2021 uma em cada quatro crianças estavam em risco de pobreza e/ou exclusão social. 388 mil crianças com fome e todos apenas falam da TAP. Um olhar de Hugo Rufino Marques Em parceria com o jornal Postal do Algarve e com o centro Europe Direct Algarve.
Listen to Tenho fome. by Que Nome Damos a Isto? MP3 song. Tenho fome. song from Que Nome Damos a Isto? is available on Audio.com. The duration of song is 07:08. This high-quality MP3 track has 320 kbps bitrate and was uploaded on 2 May 2023. Stream and download Tenho fome. by Que Nome Damos a Isto? for free on Audio.com ā your ultimate destination for MP3 music.










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The speaker discusses the recent TAP case and criticizes the Portuguese government for its weak management. They highlight the issues of secret meetings, the President's influence, and the CEO's dismissal. However, while the country is focused on TAP, they overlook the growing poverty and exploitation of migrants. Portugal has good legislation and integration programs, but there is still a long way to go in practice. They mention cases of migrants living in poor conditions and being exploited by criminal networks. The speaker emphasizes the need for societal awareness and action to address these issues, as poverty and hunger are becoming increasingly visible in the country. They criticize the media for prioritizing the TAP case over more pressing concerns. The speaker encourages listeners to share their opinions and concludes by highlighting the importance of addressing the hunger crisis in Portugal. OlĆ”, Ora Viva. Bem-vindos a mais um Que NĆ£o Mudamos a Isto. Nos Ćŗltimos dias somente ouvimos falar do caso TAP e como o governo portuguĆŖs estĆ” fragilizado, nĆ£o caindo porque o Presidente da RepĆŗblica ouve-o dois cidadĆ£os na rua e mais um periquito, e concluiu no alto do seu palanque que nĆ£o era a melhor altura para haver eleiƧƵes porque a oposição ainda nĆ£o estava preparada, porque havia a guerra na UcrĆ¢nia, porque o meu chapĆ©u tem trĆŖs bicos, tem trĆŖs bicos o meu chapĆ©u, se nĆ£o tivesse trĆŖs bicos o chapĆ©u nĆ£o era meu. E tudo isto mesmo que o caso TAP tenha trazido ao de cima a gestĆ£o, e usar a palavra gestĆ£o aqui Ć© de veras irónica, da TAP onde passava por reuniƵes secretas antes de audiĆŖncias parlamentares, solicitação do cancelamento de um voo porque dava jeito ao Sr. Presidente da RepĆŗblica e como era bom ele estar satisfeito para nĆ£o mudar de humor, reuniƵes com Fernando Medina onde este solicitou a demissĆ£o da CEO da TAP e após a recusa da mesma vem para a televisĆ£o informar em direto que demitiu a CEO da TAP, tal galante de telenovelas mexicanas. Foi tudo tĆ£o mau, mas tĆ£o mau que quanto mais este assunto se prolonga no tempo, mais me passa pela cabeƧa os ministros, secretĆ”rios de Estado, deputados, entre outros personagens neste enredo de alentejo sem lei, dizerem PASSARAM-ME! Isto politicamente falando. PorĆ©m, enquanto Portugal anda embriagado com o caso TAP, todos normalizam a pobreza que vai engorƧando as suas fileiras. SĆ£o inĆŗmeros os casos de migrantes que sĆ£o encontrados em condiƧƵes precĆ”rias, mesmo que Portugal seja considerado pelo Mipex como o segundo melhor paĆs do mundo para receber e integrar imigrantes. Eu sei que parece uma brincadeira ou um estudo encomendado, mas nĆ£o, nĆ£o Ć©. O Mipex avalia o Ćndice de polĆticas ao nĆvel legislativo e programas de integração que, em Portugal, sĆ£o muito, muito, muito bons. PorĆ©m, ainda existe um enorme caminho a percorrer entre o que estĆ” escrito e programado e o que acontece no terreno. Portugal possui uma legislação de migração com mais de 120 artigos e respectivas burocracias que, para migrantes pobres e provenientes de paĆses onde a lĆngua portuguesa nĆ£o Ć© nem parecida com a sua lĆngua, acabam por cair nas malhas de redes mafiosas organizadas que aproveitam estes longos processos burocrĆ”ticos do Estado para atuarem. Em marƧo deste ano, foram encontrados no municĆpio de Faro 132 imigrantes que estavam a viver em seis armazĆ©ns e onde pagavam 100 euros por colchĆ£o. Segundo o SEF, os migrantes encontrados estavam dependentes de conterrĆ¢neos, sócios-gerentes de empresas, prestadores de serviƧos de cedĆŖncia de mĆ£o de obra para exploraƧƵes agrĆcolas e cujo o trabalho nĆ£o era desempenhado de uma forma contĆnua. Ao que se pode ainda apurar, o proprietĆ”rio dos armazĆ©ns alugava os mesmos por 700 euros ao mĆŖs aos inquilinos que, por sua vez, enchiam de belichos e sobrealugavam os mesmos. Outro caso surgiu na LourinhĆ£, onde a Associação Ajuda a Quem Precisa foi chamada para ajudar um homem que tinha sido visto a revirar caixotes de lixo na Ć”rea do Sobral da LourinhĆ£. Quando a equipa chegou ao local, deparou-se com um jovem paquistanĆŖs de fraca figura, sem forƧas para levar a ajuda que recebera atĆ© ao local onde pernoitava. A equipa deu o boleio ao jovem e, quando chegou ao local, deparou-se com um armazĆ©m onde residiam um total de 13 migrantes com diversas necessidades. Estes migrantes eram explorados e recebiam somente entre 30 a 20 euros por semana para fazerem uma refeição. Estes casos multiplicam-se por todo o paĆs. E o caso de Odmira, o escĆ¢ndalo que foi Odmira, nĆ£o foi um caso isolado e ninguĆ©m aprendeu absolutamente nada com ele. Ć necessĆ”rio afirmar que nĆ£o existem inocentes nestes casos de exploração de migrantes sem serem as próprias vĆtimas destas redes criminosas, pois atĆ© nós, a sociedade portuguesa, nĆ£o temos uma cultura cĆvica para estabelecer um limite Ć©tico e denunciar estes crimes porque fomos educados a nĆ£o nos metermos para nĆ£o termos problemas. PeƧo desculpa, eu disse? A sociedade portuguesa nĆ£o tem cultura cĆvica? Lamento, nĆ£o queria ofender ninguĆ©m. A sociedade portuguesa tem cultura cĆvica, mas eu tambĆ©m nĆ£o posso exigir muita cultura cĆvica a um povo que tem fome. Sim, fome. Portugal tem fome. Segundo dados do Eurostat, em 2021, uma em cada quatro crianƧas estava em risco de pobreza e ou exclusĆ£o social. Isto representa um total de 388 mil crianƧas que necessitam de um apoio imediato. A pobreza em Portugal existe e comeƧa a ser cada vez mais visĆvel nas ruas, principalmente para os voluntĆ”rios que todas as noites vĆ£o nas carrinhas de apoio Ć s pessoas mais necessitadas pelas ruas das grandes cidades como Lisboa e Porto. Cada vez mais eles deparam-se com crianƧas sozinhas nas ruas que necessitam de apoio e de comida. Deparam-se com jovens que tĆŖm um trabalho e tĆŖm uma casa, mas cujas despesas sĆ£o tantas ou o salĆ”rio Ć© tĆ£o baixo que nĆ£o conseguem fazer face Ć s suas necessidades e a alimentação comeƧa a faltar. Em muitos dos casos, as associaƧƵes, enquanto antes sobrava algumas chantes ou conseguiam ter uma comida extra, agora quase que desaparece a comida na paragem. JĆ” nĆ£o conseguem fazer duas ou trĆŖs paragens como faziam antes e as pessoas que pedem ajuda jĆ” nĆ£o Ć© o sem-abrigo que dorme no banco do jardim ou que procura a Gar do Oriente ou outras estaƧƵes de comboio ou de metro para terem algum abrigo e poderem dormir. NĆ£o. Agora sĆ£o toda a gente. Eu, vocĆŖ, o sem-abrigo na rua. Pessoas como nós vĆ£o procurar esta ajuda porque nĆ£o sabem como pagar a alimentação. Ć por isso que eu digo que Ć© necessĆ”rio ter muita, muita vergonha. Utilizar em casos como o da TAP, que de facto tĆŖm que ser vistos, mas ocuparem os noticiĆ”rios só com isto. Portugal tem muitos, muitos problemas e a fome Ć© um deles. Em um paĆs que dĆ” mais atenção a uma companhia aĆ©rea do que ao estĆ“mago dos seus cidadĆ£os, que paĆs Ć© esse? Em mesmo caso Ć© melhor que nĆ£o mudamos a isto. Envie-nos as suas opiniƵes para que nĆ£o mudamos a isto arroba gmail.com e encontramos-nos na próxima quarta-feira. Desejo-lhe a continuação de uma boa semana.
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