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Listen to WhatsApp-Audio-2025-06-23-at-22.46.55 by Luiza Miranda MP3 song. WhatsApp-Audio-2025-06-23-at-22.46.55 song from Luiza Miranda is available on Audio.com. The duration of song is 01:12:41. This high-quality MP3 track has 121.316 kbps bitrate and was uploaded on 24 Jun 2025. Stream and download WhatsApp-Audio-2025-06-23-at-22.46.55 by Luiza Miranda for free on Audio.com â your ultimate destination for MP3 music.










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The speaker recalls a time at the university when various faculties were closely connected, organizing festive gatherings. They remember a colleague who turned out to be a spy, leading to increased caution and eventually a movement to close their block as a protest. The conversation shifts to a political context, discussing the turmoil surrounding the presidency of Jango and the military intervention, leading to a sense of fear and uncertainty. The speaker reflects on the complexities of the era, including the involvement of the United States in Brazilian politics. Na esquina, atrĂĄs, tinha a Faculdade de Arquitetura, que era um grande centro de movimento estudantil. AĂ, seguindo aquela rua ali, tinha a empresa da medicina, que agora acho que jĂĄ mudou, jĂĄ era a medicina, o direito lĂĄ do outro lado, a biblioteconomia e a engenharia bem na esquina. Continua assim, eu acho, a engenharia. Eu acho que a engenharia continua ali. A arquitetura tambĂ©m continua ali. Ă, continua ali, nĂ©? O que a Mariana faz ali Ă© a piscina. EntĂŁo, a gente vĂȘ que o nosso bloco era um bloco mesmo. Era fĂĄcil a comunicação entre nĂłs. A gente tinha, a gente fazia, como Ă© que se diz, encontros que a gente chamava de encontros festivos. A gente fazia festas no campo. SĂł que assim, a festa era uma festa, mas a gente aproveitava para conversar e trocar ideias e tudo mais. No inĂcio, a gente nĂŁo se deu conta, mas chegou um momento em que vĂĄrios colegas, vĂĄrios cursos se deram conta que tinha gente infiltrada. Inclusive, na nossa turma, tinha um que a gente nem imaginava. Ele, por azar, ele era epilĂ©tico. Ele teve um ataque epilĂ©tico e nĂłs fomos acudir a ele. E quando nĂłs fomos acudir, a gente descobriu na roupa dele uma carteira do Box. EntĂŁo, a gente estava esperando uma turma e a festa. Isso. AĂ, a gente passou a, como Ă© que eu vou te dizer assim, a dar um filtro nele. Porque tinha que se proteger. AĂ, em 65, tambĂ©m teve um movimento grande que foi, nĂłs fechamos aquele bloco. Fechamos. E o exĂ©rcito e a brigada ficaram ali naquela ilha. E o que motivou vocĂȘs a fecharam a festa? Para aumentar o movimento. Dentro da universidade? Dentro da universidade. Porque eles estavam nos ameaçando. Se nĂłs saĂssemos para a rua, eles iriam para cima. Eu sei disso. Ah, a Marta deve ter ligado lĂĄ no chuveiro. O chuveiro nĂŁo. A gente ia para a rua, sĂł que assim, era muito estranho. Era muito estranho, porque tinha muitas atividades comerciais que davam apoio para nĂłs. A minha saudade do filho, que ainda nĂŁo tinha aquele viaduto, a minha saudade do filho, e aquele que hoje tem ali, que vai para a Santa Casa, nĂŁo tinha aquele. Era direto. Subia, saia dali do bolo ali, subia ali a uma pessoa que estava na saudade do filho. EntĂŁo, a saudade do filho era o ponto. Todo mundo se reunia ali. Todo mundo se reunia. AĂ, todo mundo se reunia com o cartaz. E ali que se davam as repressĂ”es. Tinha os caras a cavalo em cima da gente. Enfim, a gente começou a se organizar melhor daĂ. E aĂ tinha dois ou trĂȘs bares que a gente frequentava na saudade do filho, que os caras nos davam apoio. Quando a polĂcia vinha aĂ por cima, eles abriam. Que fechava a terceira, a segunda, a Ășltima. Voava tudo. NĂŁo era sĂł nĂłs. Tinha gente, como em todo movimento, tinha gente que era mais agressiva. NĂłs, nĂŁo. O negĂłcio nosso era... Era ir protestar, com faixa, coisa. Agora, vocĂȘ tem que saber, porque nĂŁo sei se acontece nessa ocasiĂŁo, tem aqueles que sĂŁo os mais agressivos, que jogam tijolo, que fazem... Enfim. AĂ os caras tudo fechavam os estabelecimentos todos ali. SĂł que tinha dois ou trĂȘs bares ali que nĂŁo davam cobertura. Quando a polĂcia vinha, eles abriam, a gente ia trazer e eles fechavam. E a gente ficava lĂĄ atĂ©... AtĂ© passar o ano. Passar o ano. E voltando, voltando, saindo pra casa. Antes de seguir, deixa eu voltar um pouquinho. Olha aĂ, a engenheira falando de... TĂŽ numa diva analista. Quando vocĂȘ teve o primeiro contato lĂĄ em 64 com o grupo, o que que vocĂȘ sentiu na Ă©poca? VocĂȘ lembra? Tudo isso. O grupo... O grupo musical, acho, fecharam... Assim, nĂŁo. Assim, a gente ficou... Porque ninguĂ©m esperava aquilo, nĂŁo foi uma coisa... AtĂ© porque na Ă©poca, assim, eu tava saindo do ensino mĂ©dio. No colĂ©gio particular. EntĂŁo, nĂŁo tinha, assim, de freiras. Diria, assim, altamente direitistas. EntĂŁo, a gente nĂŁo tinha muito acesso a informaçÔes do que tava acontecendo, assim, aqui no Brasil. E nem em casa se falava? NĂŁo, meu pai falava bastante. Meu pai era um cara... Ele era advogado e ele era um cara que ele se... Ele tava sempre por dentro... Dos notĂcias. Dos notĂcias. Minha mĂŁe era professora, mas professora primĂĄria. EntĂŁo, ali, com as crianças, nĂŁo tinha muito... Mas, assim, a gente se surpreendeu com aquilo. AtĂ© por... De uma maneira geral, a gente atĂ© ficou com medo. Porque eu nunca tinha visto tanque na rua. E coisa assim. Ali, eles vieram... Justamente, eles cresceram de SĂŁo Paulo pra cĂĄ. VĂĄrias divisĂ”es de tanque, de coisas assim. Eu me lembro de acordar, assim, eu dormia na sala, na casa onde a gente tinha ficado lĂĄ. E acordar com aquele... Sabe aquele... Onde o tanque... Que Ă© o filme mesmo. Ă? SerĂĄ que tĂĄ acontecendo aqui? AĂ, abrindo a janela da sala, um monte de tanque passando. Dizemos, que coisa mais estranha isso. Essa hora, alta, madrugada. Aquele tanque passando. E, logo em seguida, alguĂ©m lĂĄ da cidade. Eu nĂŁo me lembro. Agora que sĂŁo 60 anos. AlguĂ©m disse, olha, tĂĄ acontecendo uma coisa sĂ©ria. Fecharam a fronteira. Foi alguma dor de desespero? NĂŁo, desespero nĂŁo. Mas a gente ficou naquela. Mas, o que serĂĄ que tĂĄ acontecendo? Procuramos em rĂĄdio. Porque naquela Ă©poca era o que tinha. As notĂcias eram bem desencontradas. Que tava tudo enviado. Mas, aĂ, ficaram lĂĄ, nĂ©? A gente nĂŁo sabia o que estava acontecendo. Na verdade, depois que passou aquele tanque. A gente sabia que nĂŁo podia sair de lĂĄ. Porque a gente tinha ido de carro. E tinha que ficar lĂĄ. Pra ter abrido. A gente se ajeitou lĂĄ. Como nĂŁo podia ir lĂĄ. Passar os dias lĂĄ. Tinha que lavar a roupa. Todo dia. Porque a gente ia levar meia dĂșzia de coisa. Pra ficar dois dias, uma semana. Mas, assim, a gente ficava esperando. Cuidando no rĂĄdio. AĂ, quando a gente soube que estavam deixando passar. Vamos voltar pra casa, nĂ©? AtĂ© porque, naquela Ă©poca, nĂŁo tinha internet. NĂŁo tinha nada. E a famĂlia de todo mundo ali. Estavam preocupadas. Porque nĂłs estĂĄvamos em um outro lugar, fechado. E sem notĂcia nenhuma. E por que que fecharam a fronteira? Porque aqui tinha o Grisola, nĂ©? E aĂ, o Grisola tinha... O Grisola tinha... Como Ă© que se diz? Ele tinha prometido que ele nĂŁo ia deixar. Tirar o Jando da presidĂȘncia. EntĂŁo, ele fechou. Ele nĂŁo. Os militares fecharam. E ele se... Como Ă© que se diz? Se embarricou ali no palĂĄcio. Daqui ninguĂ©m sai. Daqui ninguĂ©m sai e ninguĂ©m tira. EntĂŁo, foi uma situação bem... Eu me lembro que quando eu cheguei. Quando a gente conseguiu voltar. Tava bem complicado. Meu pai disse, olha, eu nĂŁo tĂŽ saindo. Porque tem havido muitos manifestos na rua. Ele trabalhava ali no centro. Ele disse, eu nĂŁo vou me expor. As aulas tinham sido suspensas. Minha mĂŁe tava em casa. E aĂ, a gente ficava em casa. E eu achei estranho. Que a gente morava ali no... No edifĂcio aqui. E aĂ, tinha milico na porta. E tinha metralhadora em cima do telhado. LĂĄ em cima. No dĂ©cimo... 22, nĂ©? Metralhadora. Na L, em cima. Botaram lĂĄ em cima do telhado. Loucura. Total. AĂ, tĂĄ. A gente ficou ali, naquilo ali. Ficamos naquela situação ali. Depois foi... Meio que se acalmando um pouco. O ambiente ali. SĂł que... Ele ficou um tempo depois. Ele teve que fugir, nĂ©? Ele teve que fugir. Ele teve que pegar ele. Com certeza que... Isso era certo, nĂ©? O Jango mesmo veio pra cĂĄ. E daqui ele foi pro Uruguai, nĂ©? Ele veio fugido. Ele foi pro Uruguai. Ele ficou. Ele vai pra vida dele. Porque ele nĂŁo podia... Ele nĂŁo podia voltar. Ele teve que voltar, porque os caras... Tinha pessoas de 60. Eu sou de 63. Dois anos de idade. Um ano, dois. Foi o primeiro movimento que era na tua casa. A minha mĂŁe contava. A minha mĂŁe... Nunca ninguĂ©m falou nada na minha famĂlia. Nem na escola. NĂŁo soubesse. Mas elas nĂŁo entendiam direito. O que estava acontecendo. E tinha muita aquela coisa. Se tu falasse, era que tu era comunista. EntĂŁo tinha muita gente que era percebida como comunista sĂł por ter uma opiniĂŁo diferente. AtĂ© hoje, assim. Na verdade, o contexto disso aĂ, o inĂcio disso aĂ, pra gente entender... Hoje eu entendo isso aĂ. Na Ă©poca eu nĂŁo entendi isso aĂ. Essa resolução aqui, entre aspas, que nĂŁo foi uma resolução propriamente militar, foi uma resolução cĂvico-militar. Ela foi, na verdade, tramada pelos civis. Pelos governadores de Minas, SĂŁo Paulo e... NĂŁo me lembro qual Ă© o terceiro agora. Enfim. Foi tramada por eles. Claro que eles sozinhos nĂŁo poderiam fazer esse tipo de coisa de derrubar o Congresso. Uma sĂ©rie de coisas. EntĂŁo eles trataram de se ajeitar com relĂquio. Porque isso aĂ foi tudo tramado pelos Estados Unidos. NĂŁo foi um movimento... NĂŁo foi uma ideia brasileira. NĂŁo foi nem ideia brasileira. Na verdade, existia a situação assim. NĂłs estĂĄvamos em plena Guerra Fria. EntĂŁo, quando o Jango foi... Porque naquele tempo se podia eleger um presidente de cada partido. EntĂŁo eles eram separados. Voltava-se o presidente e voltava-se o vice. AĂ votaram no... Voltaram no JĂąnio e votaram no Jango. O JĂąnio Quadros e o Jango, o JoĂŁo Goulart. Um era do PTB e o outro... O Andamassor. O Andamassor. Ele diz... A frase dele Ă© que ele ia limpar o paĂs. EntĂŁo, o nome dele era que ia varrer todo o sujeiro e aĂ os caras mandaram ele pra cima. Era uma vassoura. Esse e o JĂąnio Quadros. JĂąnio Quadros. JĂąnio Quadros foi eleito, tomou posse, junto com o Jango. SĂł que chegou um determinado momento que ele disse que tinha forças ocultas que estavam procurando e que ele ia abdicar. Abdicar nĂŁo, porque ele nĂŁo era rei. Ele ia renunciar. Ele voltava-se o presidente e ele era separado. NĂŁo formava uma... NĂŁo era chata. Era separado. Por isso que a maioria do povo votou no JĂąnio, na histĂłria da vassourinha, que todo mundo achava que ia resolver. E no Jango, porque queriam votar em um cara de esquerdo. AĂ os dois tomaram posse. SĂł que aĂ, como o JĂąnio renunciou, o Jango tinha que assumir. AĂ o que eles fizeram? Primeiro movimento aqui no Rio Grande do Sul, o Grisola tambĂ©m, fazendo isso aĂ. Foi o tal de... A legalidade. NĂŁo queriam deixar o Jango assumir. EntĂŁo... Porque daĂ assumiam de esquerda. AĂ fizeram... Fizeram uns conchados lĂĄ... E aĂ o JĂąnio... Ela Ă© amagada em dois minutos. O JĂąnio. O JĂąnio da vassoura e o Jango era o vice dele na escala de outro partido, ligado Ă esquerda, e diziam que iam disparar o comunismo. AĂ o JĂąnio renunciou. Por quĂȘ? Ele disse que tinha forças ocultas, que nunca ninguĂ©m foi procurado por forças ocultas. Prometeu alguma coisa pra ele? Ele simplesmente... Um dia pra noite. Foi uma notĂcia. AĂ eu estava ainda assistindo o MĂ©dio e lembro que... Ah, o JĂąnio renunciou, nĂŁo sei o quĂȘ, nĂŁo sei o quĂȘ... TĂĄ, ele ficou naquele clima meio... Aquele ambiente, assim... TĂĄ, bom. AĂ o JĂąnio tinha que assumir. SĂł que aĂ eles começaram... O Congresso começou a criar picuinhos. Ele nĂŁo podia assumir, pra que Deus... AĂ o Brizola, que... Era governador? Ă, o Brizola, que era cunhado dele, e era do CTB tambĂ©m, e era governador aqui, ele resolveu fazer o trabalho da legalidade. Tomou a RĂĄdio GuaĂba e instituiu a RĂĄdio da Legalidade. Fazendo um movimento contrĂĄrio a nĂŁo deixar o JĂąnio assumir. Ou seja, apoiando ele assumir o cargo... LegĂtimo dele, que ele foi eleito pelo povo e tinha que assumir. Sim, e naturalmente, se o presidente nĂŁo assumiu ou renunciou, assumiu. EntĂŁo aĂ, tĂĄ, aĂ eles começaram assim... Bom, pra ele assumir, entĂŁo nĂłs vamos criar um sistema presidencialista. TĂĄ? Fala a minha vontade. AĂ quem foi o eleito primeiro-ministro? Foi o... Quem que morreu primeiro-presidente depois da... O Tancredo Nunes. Ele era o primeiro-parlamentar. Ele era o primeiro-parlamentar. AĂ o JĂąnio assumiu. Mas ele nĂŁo era... O regime nĂŁo era mais presidencialista. Tinha um primeiro-ministro. Ele era presidente, mas tinha um primeiro-ministro. Essa histĂłria tĂĄ sendo boa pra mim. Se o desafio tiver, se nĂŁo sei o que acontece na histĂłria. Mas como Ă© que Ă© começar a... VocĂȘ estuda isso em histĂłria mesmo? Na prĂĄtica, a gente curte falar isso. Eu nĂŁo sei. Agora, tu pode dizer como Ă© que era o ensino disso aĂ na histĂłria? Quando eu era criança? NĂŁo, eu digo quando tu jĂĄ tava dando aula. Ah, Ă© uma coisa que eu nĂŁo me lembro. Eu tive um ensino mĂ©dio um pouquinho depois de ti e era bem superficial, assim, sabe? Eu lembro muito bem da questĂŁo do Batorinha. Mas toda essa movimentação do regime parlamentar eu nĂŁo lembro de tudo. Eu nĂŁo lembro de tudo, na verdade. Por exemplo, agora que eu tava velha. Eu sou bem superficial, assim. Ă, eu acredito que ainda continua. NĂŁo sei como Ă© que tĂĄ agora, mas eu acredito que continua ainda. Na verdade, ninguĂ©m vai a fundo na coisa. Por que que aconteceu isso? Porque realmente existia a Guerra Fria e os Estados Unidos nĂŁo queriam de maneira nenhuma ter nenhum paĂs na AmĂ©rica do Sul eles nĂŁo se consideram quintal deles atĂ© hoje que tivesse algum governo de esquerda. Bom, durante um certo perĂodo o Jango governou com o Tancredo sendo o primeiro-ministro atĂ© que ele foi convidado pra ir Ă China. Nossa, os anos se passam e as coisas continuam acontecendo da mesma maneira. Ele assumiu em 62 64, dois anos. EntĂŁo ele foi pra China. Mas ele foi pra China como um urna pra China pra fazer negĂłcio porque a China nunca foi atĂ© hoje a China estava vendo aqui um negĂłcio lĂĄ de irĂŁ e azul pra lĂĄ, agora a China o negĂłcio dela Ă© vender. Quer valer dinheiro? Claro. Cada vez mais? Cada vez mais, o negĂłcio dela nĂŁo Ă© guerra. A China, hĂĄ muito tempo que ela abandonou o sistema e voltou pra Ăfrica. Bom, enfim, vamos voltar lĂĄ. Foi pra China. AĂ... Valeu. Te amo. Acho que tem um... Quando ele estava na China aĂ começou o movimento aquele dos governadores e lĂĄ no parlamento no congresso nĂŁo sei o que. Ah, pois Ă©, mas ele vai ele vai voltar da China com os gays, os comunistas. Ele tinha antes de ir, eu esqueci um detalhe aqui que jĂĄ gravou isso aĂ antes de ir, ele tinha feito vĂĄrios pronunciamentos pĂșblicos lĂĄ no Rio de Janeiro conclamando pra fazer as reformas de base. Que na verdade o que eram as reformas de base? Ă o que atĂ© hoje o Lula tĂĄ tentando fazer e a Dilma tentou fazer e sempre dĂĄ um... um revoluĂço. Que Ă© mexer com a classe dominante. Isso aĂ, cada vez tenta a mesma histĂłria. Se repete assim de forma diferente mas tenta a mesma histĂłria. Ele antes de ir tinha feito essas reuniĂ”es, e aĂ eles acharam que ele tinha, machando pra se como dizemos assim, se instruir como Ă© que ele tinha que se instituir no governo comunista do Brasil. Os Estados Unidos os Estados Unidos ameaçou que ia mandar a sexta frota pra cĂĄ e mandou pro nosso litoral lĂĄ mandou a sexta frota. Que se os militares desses aĂ nĂŁo dessem um jeito os Estados Unidos iam invadir aqui. Sempre a mesma histĂłria. Nesse angularismo onde nĂŁo Ă© chamado. TĂĄ. AĂ o Jango voltou e nĂŁo deixaram o aviĂŁo dele descer lĂĄ em BrasĂlia. Ele desceu lĂĄ pro Porto Alegre. SĂł que se ele ficasse aqui em Porto Alegre iam prender ele aqui. AĂ o que que ele fez? Ele pegou o mesmo aviĂŁo que ele tinha vindo e foi pra AntibidĂŁo. O Bisola ficou um pouco aqui. AĂ quando o inverso começou toda descida lĂĄ ia tomar coisa e tal. Isso. A gente ficou lĂĄ. AĂ ele pegou e tambĂ©m foi pra Uruguai. E o Tancredo? O Tancredo tiraram. Acabaram com tudo. Porque eles fecharam o Congresso. Fechando o Congresso fecha o Parlamento. AĂ eles tomaram conta. O Castelo Branco foi eleito presidente. Que era o de direito. Primeiro presidente militar da ditadura. O Castelo Branco em 64 ainda estava tranquilo. Por isso que eu digo em 64 nĂŁo tinha grandes perturbaçÔes porque ele era um cara relativamente tranquilo. Agora em 65 começou o povo começou a ver que estavam acontecendo umas coisas estranhas tipo prisĂ”es e coisas assim. E começaram os movimentos. E aĂ foi quando vocĂȘs fecharam lĂĄ a Universidade pra ganhar força. Pra fazer um movimento ali. Na verdade a gente ficou dois dias lĂĄ. Cercados. Se eu quiser. AĂ no fim se fez algumas negociaçÔes. NĂłs abrimos o cesto e eles tambĂ©m. SĂł que aĂ começou assim. Sistematicamente tinha manifestaçÔes. Que foram progredindo aumentando cada vez mais. Era o Brasil inteiro. A Ășnica UniĂŁo Nacional dos Estudantes Ă© que dava as dicas. SĂł que começou a ver muita prisĂŁo. Cada vez que lĂĄ em SĂŁo Paulo estĂŁo em buraco. Era terrĂvel. Na USP lĂĄ era um centro foco grande ali de movimento contra o governo. Ali perderam o rolo de gente. AĂ começaram a surgir os movimentos aqueles clandestinos. A gente nunca participou de nenhum. A gente fazia protesto na rua. Nunca participamos de nenhum. Mas tinha aqui. Basicamente SĂŁo Paulo e Rio eram bem fortes. O que sĂŁo os movimentos clandestinos? Os movimentos clandestinos sĂŁo vĂĄrios... Como Ă© que eu vou dizer? Os movimentos clandestinos sĂŁo assim. Quando um determinado grupo estava sendo visado pela polĂcia eles se entravam na clandestinidade que nem se dizia. Eles se juntavam em determinados lugares. Casos. E ali eles planejavam o que eles iam fazer. A Dilma participou do GR8. Que era um mais agressivo. Eles fizeram mais... Fizeram assaltos. Muitas coisas para conseguir dinheiro. Fizeram sequestros. Sequestraram vĂĄrios embaixadores. Depois trocaram. Como tinha muita gente presa trocaram os embaixadores. O objetivo era trocar os embaixadores pelos caras que estavam presos. AĂ foi muita gente. TardzĂ©lia. Toda essa gente que a gente conhece hoje ainda Ă© velha. Que estĂĄ ali. Caetano Veloso. Bessanha. Toda essa turma aĂ. Fora os que eram militantes. Que hoje sĂŁo. O ZĂ© Disseu. Quem mais? Tem o Palmeiras. Que sĂŁo os fundadores do PT. Depois... A prĂłpria Dilma Rousseff. A prĂłpria Dilma. Lembra aquele documentĂĄrio que a gente viu? Democracia em Vertigem? Lembra que a Petra entrevista a mĂŁe dela e a mĂŁe dela conta que ela e o marido ficaram clandestinos por quase toda a Revolução. E ele imprimia os panfletos e ela distribuĂa. EntĂŁo ela participava desse movimento. E eles foram morar numa cidadezinha dentro de um lobo ali perto de um grande centro pra poder viver na clandestinidade. JĂĄ fizeram alguns filmes razoĂĄveis sobre isso. Mas eles foram crescendo. AtĂ© que... Quando estava... Era o MĂ©dici. Mas o MĂ©dici Ă© logo depois do castelo? NĂŁo, Ă© primeiro o castelo, depois o parente dos grandinos, das tias dos grandinos. Tem sinĂŽnimos, cara. Faz uma consulta no orĂĄculo aĂ porque a ordem eu realmente nĂŁo sei... Eu sei que... Eu sei que Ă© assim, Ăł. Em 68 chegou o clĂmax, a coisa que aĂ... Eu nĂŁo lembro se era o MĂ©dici ou se era o... O garrafa do MĂ©dici ou se era o... Porque teve dois que foram terrĂveis. O MĂ©dici Ă© um deles. O outro nĂŁo, o castelo branco? Ă o primeiro. O primeiro Ă© o castelo branco. Eleito para finalizar o mandato do JoĂŁo Goulart, em que o Ferrari jĂĄ tentou em janeiro de 66. Teve a duração estendida para 15 de março de 67, tendo, portanto, governado por dois anos e 11 meses. Depois do MĂ©dici, eleito para suceder o adoecido Costa e Silva. Ah, tĂĄ. Costa e Silva. Esse que Ă© o parente do... Começou a catitulação em 65. NĂŁo, peraĂ. AĂ o MĂ©dici, Ă© o MĂ©dici, o AI-5 Ă© o MĂ©dici, vĂȘ aĂ se nĂŁo me engano. Ă, nĂ©? O MĂ©dici. Em dezembro de 68, 68. Ele baixou o AI-5. O AI-5 Ă© o seguinte, ninguĂ©m mais tinha direito a defesa. Se tu fosse pego... 13 de dezembro de 68, durante o governo de Costa e Silva. Ă, Costa e Silva. Baixou o AI-5. E aĂ assim, Ăł, todos os direitos, os direitos civis foram suspensos. Tu nĂŁo podia, a gente tinha que sair pra rua sempre com documento, porque se eu fosse pegar sem documento, tĂĄ? Mas eles podiam te prender e fazer o que tivessem, nĂŁo precisava ter motivo. NĂŁo precisava ter motivo. Podia ter alguma coisa, podia ter, podia nĂŁo ter, mas... Tem, nĂŁo tinha direito de defesa mais. NĂŁo, nĂŁo tinha direito de defesa. Era preso e... Ă, aĂ foi a pior Ă©poca, a Ă©poca do... do... querido do Bozo, o... coronel Ustra? O coronel Ustra. Que tinha, ele era lĂĄ em SĂŁo Paulo, tinha o boycott, que era... que pegou a Dilma, nĂ©? Fizeram horrores ali com eles todos, nĂŁo sĂł a Dilma, mas com eles todos ali, inclusive esse do filme agora, que o... nĂ©? Porque Ă© assim, Ăł, jornalista era avisado. Porque tinha que escrever sĂł o que eles queriam. NĂŁo podia escrever outra coisa. Foi nessa Ă©poca, assim, Ăł, que nĂłs, a Maria, eu, a Jane, a gente resolveu recuar um pouco do negĂłcio, porque estava tĂŁo perigoso, meu pai mesmo me disse, olha, vocĂȘs parem de sair pra rua, porque eu nĂŁo vou conseguir fazer nada com vocĂȘs. Nada. AĂ a gente deu uma recuada. E como Ă© que ficou a faculdade de vocĂȘs nesse perĂodo? Ficou normal. Normalmente. Tinha aula? Tinha aula, a gente ia na aula. O mundo acabou e ainda tinha aula? Sim. Mas... Hoje em dia, qualquer coisinha nĂŁo tem aula. Ă, nĂŁo, mas tinha aula normal. Tanto que eu me formei um ano depois da Jane, nĂ©? Porque eu fiquei com uma cadeira pendurada aqui, eu odiava aquela cadeira, e eu nĂŁo passei. Com o nosso exames final, eu nĂŁo passei. DaĂ eu tive que fazer, eu me formei em 70, nĂŁo em 68 mesmo. A nossa turma era 68. Eu me formaria em 68. Mas, dependendo assim, nunca parou isso. Foi piorando. Foi direto. Depois que começou todo o movimento, sĂł piorou. Foi piorando, piorando, piorando a ponto que chegou em 68, chegou nesse ponto lĂĄ do AI-5 e nĂŁo tinha mais... A gente nĂŁo sabia, a gente atĂ© nem saĂa muito pra rua, porque tinha problema. E aĂ, quando teve a formatura, as formaturas a partir de 68, todas elas, se tu tivesse ficha no DOPS, o diploma vinha carimbado. Fichado no DOPS. Tu nĂŁo tinha direito a conseguir emprego. SĂł emprego, sim. Informal. Eu tinha uma colega nossa de trabalho, conheci depois no trabalho, que era veterinĂĄria, que ela teve que ficar anos trabalhando assim, trabalhando clandestino, vamos dizer assim. Porque ela tinha o carimbo do DOPS. E tu lembra porque que ela tinha passado pelo DOPS? NĂŁo. NĂŁo sei exatamente. Eu sei que ela participava do movimento estudantil. Acredito que ela atĂ© tenha sido presa e solta depois. A Mara, que era parente dos gĂȘmeos lĂĄ, ela conseguiu, depois da redemocratização, ela conseguiu, entrou no MEC com pedido de que o diploma dela fosse atualizado sem nada. E depois o dictador terminou assim? Ela terminou em 75. NĂŁo? NĂŁo. O decreto, o AI-5, foi extinto dia 1Âș de janeiro de 79. Isso, com o Figueiredo. Nos Ășltimos meses do governo Geiser. Ă, mas aĂ entrou o Figueiredo. AĂ foi que a listia foi prolongada a listia. Todo mundo queria a listia geral e restrito. O que que Ă© isso? Era a listia que pegava os militares. NĂŁo foi assim. Eles queriam a listia e aĂ eles nĂŁo queriam. O povo começou a falar a listia, listia, nĂŁo sei o que. SĂł que esse esse direito tinha a indicação de todos os segmentos que tinham participado, queriam que fossem os militares responsabilizados por tudo que pior aconteceu. Era geral e restrito. E aĂ como eles nĂŁo queriam isso, como nĂŁo ia passar, aĂ entĂŁo eles criaram uma lei que tipo perdoava os dois lados. Tanto o lado dos outros. NinguĂ©m tem culpa de nada. AĂ o pessoal voltou pro Brasil. SĂł passando datas, nĂ©, durou atĂ© 15 de março de 85. Ă, atĂ© o governo do Tancredo. E depois veio a direta jĂĄ, veio os movimentos, veio a direta jĂĄ. E durante todo esse tempo nĂŁo tinha eleição. Nem pra governadora. E foram em 70. Na primeira faculdade. Na primeira faculdade. E vocĂȘ jĂĄ torce no teu carimbo do... NĂŁo, mas eu me lembro quando eu recebi meu diploma eu levantei ele bem de orelhinho assim pra ver. A gente tambĂ©m, nĂ©. Mas Ă© que vocĂȘs pararam, nĂŁo pararam, mas nĂŁo estavam Ă frente, nĂ©. NĂŁo, a gente realmente, porque nĂŁo tinha segurança nenhuma. TambĂ©m aĂ, tu tem certeza que tu quer te expor a isso aĂ? Porque a gente sabia o que estava acontecendo. NĂ©? AĂ eu disse, Ă©, realmente eu acho que isso aĂ nĂŁo Ă© futuro. Porque a gente era muito idealista. A gente entrou nesse negĂłcio por idealismo. A nossa geração Ă© a geração do existencialismo. Do JoĂŁo Paulo Sartre e companhia. A gente começou a nossa vida, digamos assim, adulta lendo, nĂ©, discutindo existĂȘncia, esse, aquele, coisa que nĂŁo fazia antes. EntĂŁo nĂłs Ă©ramos muito idealistas. A gente entrou por ideal na histĂłria. SĂł que assim, chegou um ponto que a gente viu que o nosso ideal Era muito ideal, nĂ©. Era muito utĂłpico, vamos dizer assim. E aĂ, tu sabe, meu pai Ă© um cara de bom senso, nĂ©. E eu ouvia bastante ele. AtĂ© porque desde criança, sinto-me muito ligado a ele. O ato de estudar, de ler, de saber. Tudo que eu sei na vida, eu comecei com ele. Nossa. Principalmente o negĂłcio de leitura, nĂ©. E tu entra na segunda faculdade? 71. Nossa, e se formou, jĂĄ entrou em outra faculdade? Eu sĂł me formei em janeiro 70, e aĂ eu fiz um cursinho, porque eu queria fazer medicina e veterinĂĄrio. Ă, medicina e veterinĂĄrio. Medicina e veterinĂĄrio. Ă. Os dois. Os dois. Eu fiz ainda em 70, eu fiz vestibular, medicina e veterinĂĄrio. Ă que assim, Viti, atĂ© quando eu crescer em vestibular, tu podia escolher, eu curso um e eu curso dois. Ă. De inscrever, eu quero fazer medicina, porque se eu nĂŁo passar em medicina, minha segunda vai ficar na veterinĂĄria. Eu passei nas duas. Mas aĂ assim, eu fiz vestibular e me formei em 70. NĂŁo. Eu fiz as duas. Deixa eu explicar pra ela. Eu me formei em 70. Fiz vestibular pras duas em 70 ainda. NĂŁo passei. AĂ, fiz cursinho em 70 e fiz vestibular sĂł pra veterinĂĄria em 71. Passei direto. TĂĄ. SĂł que quando eu entrei na veterinĂĄria, ainda tinha muita perseguição de gente, muito colega meu, Vito, perseguido lĂĄ na UJ, lĂĄ no campo. Por quĂȘ? Ela Ă© 71? Ela Ă© 71? Sim. E quem perseguia? A polĂcia. A polĂcia ali na faculdade? Sim. Entrava a porta dentro? Entrava a porta dentro. NĂŁo. Entrava a porta dentro. Fazia inquĂ©rito de professor. Naquela Ă©poca, muito professor foi chamado pra depor e alguns ficaram presos. Mas, assim, lĂĄ na veterinĂĄria, por exemplo, eu sei que quase depuseram na polĂcia. NinguĂ©m foi sumido lĂĄ. Mas, assim, colegas nossos de outras turmas nĂŁo da minha turma. De outras turmas mais Ă frente, tambĂ©m foram presos. Nunca mais apareceram? Nunca mais vi. NĂŁo sei se sobreviveram ou nĂŁo. AtĂ© que o Laerte, que Ă© esse rapaz que Ă© conhecido nosso, eu nĂŁo soube dele por muitos anos. Por saber, agora, hĂĄ tempos atrĂĄs, a Jane me contou que ele tinha vindo pra cĂĄ, mas que ele nĂŁo... Ele tava dentro. Ele foi todos os lados, assim. Por estar pichando? Por estar pichando alguma coisa? Por estar pichando uma parede. Eu sempre, quando eu fiz biologia, eu jĂĄ tinha ideia. Eu sempre falei que eu queria ser mĂ©dica. Desde criança. NĂŁo sei porque, agora, quando eu me formei no time mĂ©dio, eu resolvi fazer biologia. Foi sĂł biologia e passei. SĂł que, depois que eu terminei, eu tinha sempre essa coisa na cabeça. Eu vou fazer outra faculdade. E fiz. Fiz aquele bar. AĂ começou em... 71 e me formei em 74. E aĂ saiu da faculdade. NĂŁo, aĂ eu fiz mestrado. AĂ fez aĂ e aĂ passou em outra. NĂŁo, aĂ eu fiz mestrado. AĂ eu fiz mestrado. EntĂŁo, Ă© isso aĂ, gente. Assim, Ăł. A gente tem que pensar isso aĂ tudo num contexto que hoje nĂŁo propriamente pra nĂłs aqui, mas de uma certa forma atĂ© estĂĄ se repetindo com essa histĂłria desses Bolsonaro lĂĄ nos Estados Unidos e nĂŁo sei o que. A prĂłpria Lava Jato. Era uma coisa que eu na Ă©poca, vocĂȘs se lembram. VocĂȘs jĂĄ eram mais grandinhos. Eu era. A histĂłria talvez nĂŁo. Tanto de fraude ainda. Talvez. Pois entĂŁo. Eu nĂŁo entendia muito bem. Eu atĂ© entrei um pouco naquele papo furado da Lava Jato que tinha... Que as indĂșstrias brasileiras estavam fazendo alcatrua. Estavam fazendo corrupção. NĂŁo sei o que. Hoje eu sei aqui. Corrupção tem em tudo que Ă© lugar e sempre. NĂŁo tem... Agora. Lendo bastante. Tem uma literatura imensa sobre isso aĂ. Descobri os detalhes da coisa que foi orquestrada pelos Estados Unidos, mais uma vez. Dessa vez pelo lado econĂŽmico. Que era assim. Diferente de que provavelmente estamos fazendo agora e isso a histĂłria vai contar na sequĂȘncia. A Odebrecht que era a nossa maior consultora. Ela tinha projetos fantĂĄsticos. Porque a engenheira sabe que os projetos eram fantĂĄsticos. Obras absurdas. De tamanho e dimensĂŁo. E era obra que nĂŁo caĂa no dia seguinte. Começou a se expandir, expandir, expandir na Ăfrica, nos prĂłprios Estados Unidos e nĂŁo sei o que. E começou a perturbar os queridos lĂĄ dos Estados Unidos com a sua consultora de lĂĄ. O que eles fizeram? Bolaram um plano. Olha como essa gente Ă©. Ă... Olha. Bolaram um plano assim. Buscaram aqui no Brasil, claro, eles buscam sempre os Bolsonaro da vida. Ou seja, os caras que o cĂ©rebro Ă© desse tamanho mas que o olho Ă© maior que a... Eu nĂŁo sei o que. Como diria a Brizola, os interesses? Os interesses, nĂ©? EntĂŁo, acharam que era de novo. E a turma dele. Isso atĂ© hoje nĂŁo consigo entender. NĂŁo, mas isso aĂ depois a gente pode um dia... Pode ser pelos anos 2000. NĂŁo, aĂ jĂĄ foi agora. Estou sĂł te dizendo assim, Ăł. Eu lembro que eu olhava a realidade assim. Eu via o Debrecha no posto. Ă... Enfim. Eu jĂĄ era, eu jĂĄ sabia que era ele. Buscaram lĂĄ um plano espetacular de... Acho que vou ter que pĂŽr mais noinho ali. Um plano espetacular assim, Ăł. Se nĂłs conseguirmos provar que Ă© o Debrecha... Ah, o Debrecha fez isso tambĂ©m. TambĂ©m. Mas o Debrecha foi a pior vĂtima da histĂłria, nĂ©? Foi a mais... Eu acho que nĂŁo fiz mais o Debrecha ainda. Acho que fiz isso ainda. Acho que fiz isso ainda. Sim, mas eu acho que fiz isso e fiz isso. NĂŁo, nĂŁo. NĂŁo no tamanho. NĂŁo no tamanho nem nada. NĂŁo como era. EntĂŁo eles voaram um plano assim, Ăł. Ă que acabaram criando um nome dentro do Debrecha ainda. NĂŁo, eles prenderam os caras. E aĂ eles aproveitaram o peso da corrupção. Como o Lula tinha sido presidente naqueles dois mandatos e a Dilma era presidente tambĂ©m, eles acharam que era uma maneira de matar dois coelhos com uma cajada sĂł. Tiram o Debrecha do... do processo econĂŽmico mundial. Tiram o Debrecha da Sena. Tiram da Sena. E ainda de Lambuja nĂłs acabamos com o PT no governo. Que jĂĄ estava pelo terceiro mandato seguido. Ou seja, 12 anos. 12 nĂŁo, nĂ©? O segundo mandato da Dilma, 12 mais o terceiro. Ela nĂŁo chegou a concluir o mandato. Mas o segundo, nĂ©? Ela foi eleita, nĂŁo foi dois do Lula e um dela? NĂŁo, dois e dois. Mas o Ășltimo dela, ela nĂŁo terminou. NĂŁo terminou. AĂ, assim, vĂȘ como o troço Ă© uma rede de... Sempre tem a mĂŁozinha do tio Santos no meio da coisa, e sempre pegam uns idiotas, porque pegar um idiota, sem vergonha, Ă© idiota, mas ele Ă© idiota. Bolsonaro, Ă© um cara idiota. E como ele nĂŁo estĂĄ tendo vontade de fugir dos Estados Unidos e policializar tanto no Brasil? No Brasil, todo mundo. Todo mundo, sim, mas, tipo, guerra fria... Eu vou falar? O negĂłcio Ă© assim, nĂ©? Guerra fria continua, mas nĂŁo Ă© nada declarado. Mas continua. Olha aqui, estĂĄ vendo o livrinho que tem aqui? NĂŁo Ă© sĂł mais polĂtica agora. Esse livro aqui. A terceira guerra fria. A segunda guerra fria. Esse livro ali, gente, mostra exatamente tudo que nĂłs estamos conversando agora aqui. Bom, mas enfim. DaĂ eles enrabaram a Aldebrecht, mas as outras tambĂ©m. Eu nem vou dormir hoje. Deixa ele dormir. Deixa ele dormir. VĂȘ que ele estĂĄ quieto. EntĂŁo, eu vou dizer assim, e aĂ pegaram o Lula, que ele estava compastuando e nĂŁo saindo. AĂ foi que começou o processo contra ele. E depois que o Temer assumiu, quando deram a rasteira na Dilma... Foi igual o quĂȘ? Foi igual o quĂȘ? A histĂłria jĂĄ comprovou. Sim, foi igual, claro que foi. Na Dilma, o Temer assumiu e aĂ o Temer Ă© outro que tambĂ©m trabalhou por baixo junto com toda essa tropa ali. Buscando um idiota para ser candidato em 2018. Eu me lembro atĂ© hoje de vocĂȘs lĂĄ pedindo para Marcos. Dias que, pelo amor de Deus, o pai nĂŁo votaram e se liberaram. NĂŁo adiantou nada, nĂ©? NĂŁo adiantou nada, mas enfim. EntĂŁo, assim, aĂ as coisas ficaram nesse pĂ©, gente. AtĂ© que uma alma generosa descobriu ou resolveu botar o pescoço e dar uma bagunça para o Lula. O Lula foi inocentado, pĂŽde concorrer, sĂł que essa peça jĂĄ tinha sido eleita porque todo mundo era contra a corrupção e ele... Botaram o PT, que era o Haddad que substituiu, porque na hora H era o Lula que ia concorrer. Prenderam ele para ele nĂŁo concorrer. AĂ ele indicou o Haddad. Mas era o PT. AĂ o que acontece? Ah, nĂŁo, nĂŁo vou votar no PT. PT Ă© roubo, Ă© isso, Ă© aquilo, Ă© aquele outro. AtĂ© hoje tem esse negĂłcio, nĂ©? Que o PT rouba. O Bolsonaro nĂŁo rouba. NĂŁo roubou. Pouco. EntĂŁo esse Ă© o paĂs que a gente vive, gente. Ah, Ă© o mundo todo, nĂ©? Ă, mas aqui eu tĂŽ falando... Ă, eu tĂŽ falando isso aqui, nĂłs vivemos aqui, nĂ©? Agora eu vou contar pra vocĂȘ do outro lado. Eu vou fazer a janta. TĂĄ vendo? Eu vou esquentar. NĂŁo, fica aĂ que eu posso te ser um apoio pra lembrar. Eu entrei de zero com as pessoas da minha universidade. Ah, Ă©? Eu nasci em 63. Eu entrei... Eu esqueci esse detalhe porque eu sou de ouro. Na escola lĂĄ, maternal, eu entrei com 5 anos. No 6 eu nĂŁo tinha idade pra entrar na primeira sĂ©rie que naquele tempo... E eu entrei com 6 anos. 7 anos, eu nĂŁo tinha 6 anos. AĂ eu fiquei mais de um ano. AĂ eu entrei na escola. Eu me lembro, assim, de ouvir a mĂŁe. A minha mĂŁe era funcionĂĄria pĂșblica do Estado. E aĂ, lembra que ela falava? Ela odiava. Foi bem assim. Ela casou em 1961. E aĂ tava aquele briguinho. Foi bem na Ă©poca da legalidade que ela casou. AĂ tinha o avĂŽ. Ela morava com a madrasta, o padrasto. E esse avĂŽ-drasto, ele era bem politizado. Ele veio de uma famĂlia bem politizada. Ele foi expulso da faculdade de medicina. Antes disso aĂ. NĂŁo eram vĂĄrios. Ele foi expulso por manifestar opiniĂŁo, organizar coisas dentro da universidade. Era direito, nĂ©? Ou era medicina? Eu acho que era direito. Porque a mĂŁe dizia que, graças a Deus, ele nĂŁo tinha se formado. Eu acho que era direito. Era direito? Era direito. E o meu avĂŽ ia pros comĂcios do Brizola e ainda levava o meu pai junto. NĂŁo entendia nada, mas achava a coisa mais linda. E a mĂŁe, furiosa, lembra ele que... NĂŁo, ela tava se preparando pra casar. E a minha avĂł morada, ele me levou num lugar que tinha um quartel. E aĂ, o que que acontecia? As pessoas tinham que mostrar. A Ana me falou. Eles botaram lĂĄ em cima, nĂŁo sei da onde, acho que da igreja. Do lado ali da casa do meu avĂŽ. E aĂ, assim, pra tu entrar na tua casa, tu tinha que mostrar... Documento. Documento. E aĂ, o que que acontecia com essa histĂłria do Brizola? Parou de pagar os funcionĂĄrios do Estado. Ah, Ă© mesmo. E aĂ, o Estado começou a desengolar a economia. Quando tem uma guerra, uma coisa vem tudo... Isso no ano 60? Isso. No ano 59, 60. E aĂ, o que que eles faziam? Eles pagavam com uma prisoleta, que era tipo um vale. E aĂ, quando tu chegava lĂĄ no começo pra tocar aquele vale, aquilo ali era super chique. Uma prisoleta de dez, eles te pagavam cinco. EntĂŁo, jĂĄ criou todo um sacozĂŁo. Eles vĂŁo sempre um jeito. EntĂŁo, a Ășnica coisa que eu ouvia falar Ă© a minha mĂŁe brava, mas ela nĂŁo estava brava por causa da ditadura. Ela estava brava porque ela estava recebendo embriolete. EntĂŁo, era a visĂŁo deles. E o meu pai, porque ele era do conto. EntĂŁo, quem era do conto, era quem era. AĂ, brigavam, sabe? Eles sem saber se casavam. No meio dessa função, e a mĂŁe dizendo que o vĂŽ tinha feito a cabeça dele, que nĂŁo sei quem, que ela estava sem receber, e que ele tinha que ver esse lado. Resumindo, brigaram, casaram, mas antes brigaram muito por causa da prisoleta. Ela nĂŁo estava acostumada. Ela tinha ditadura. Ela tinha ditadura. Ela queria usar a arma por causa dela. AĂ, eu cresci ouvindo isso. AĂ, fui para a escola. Setenta, setenta e um, setenta e dois, setenta e trĂȘs, setenta e quatro, eu passei por cinco anos. AĂ, eu fiz escola. AĂ, fiquei na escola setenta e quatro, setenta e cinco, setenta e sete, setenta e oito, saĂ loja, setenta e nove, saĂ para o colĂ©gio do Jardim. Para o colĂ©gio do Jardim. EntĂŁo, isso pegou um pouco, entĂŁo. VocĂȘ nĂŁo era bebĂȘ, guria? Mas, setenta e nove eu nĂŁo era. Mas, setenta e nove, eu tinha quinze anos. Mas, vocĂȘ nĂŁo era de alguma coisa? NĂŁo, eu nĂŁo era de alguma coisa, mas nada associado a esse tipo de coisa. Estava acontecendo, jĂĄ falava de ninguĂ©m, sim. Mas, tu ia para a escola tranquilo, mas ninguĂ©m falava nada em escola dessas coisas de digitador. NinguĂ©m falava nada. Eu nunca tive a oportunidade de falar alguma coisa. Nessa Ă©poca, eu insisto, que todo mundo calou a boca. NinguĂ©m falava nada. Dentro da tua casa? Dentro da minha casa, era como se algo estivesse acontecendo. Eu nĂŁo sei quando a minha mĂŁe se lembrava do vĂdeo da minha mĂŁe. Mas, era como se nada estivesse acontecendo. E aĂ, tu vivia em uma realidade paralela, porque voltava para a maioria das pessoas. O que nĂŁo falava, nĂŁo existia, nĂ©? Sim, nĂŁo fala, nĂŁo existe. A maioria das pessoas, ao mesmo tempo que eu cheguei aqui, dizia que tudo tinha sido uma maravilha. AĂ, eu disse, maravilha? Aonde? Ah, nĂŁo, foi uma maravilha. Aqui, nĂŁo aconteceu nada. NĂŁo sei. Provavelmente, nĂŁo aconteceu. AtĂ© hoje, quem andava direitinho nĂŁo percebe nada. Quem andava direitinho. Eu vou falar tambĂ©m. AĂ, fui para a faculdade, sĂł passei na prova de faculdade hoje, mas Ă© assim, nĂ©? Ela faz uma prova, ela faz um vestibular voltado para um pĂșblico que deveria, teoricamente, estar bem vinculado a todos os acontecimentos da sociedade brasileira, do mundo, enfim. Como uma pessoa que vai fazer um vestibular um nĂvel de conhecimento que a pessoa tem que ter para fazer um vestibular. Porque nĂŁo se fecha o que faz na escola. Sim, uma coisa nĂŁo conhece outra. E aĂ, claro, aĂ surgiram os cursinhos. Uns cursinhos para pessoas juntarmos. Por que vocĂȘ fez o vestibular? Porque tu nĂŁo... nĂŁo tinha, sabe? E a prova, assim, que eu me lembro, a prova de histĂłria, as coisas que eu acertei, eu nĂŁo aprendi na escola. Eu aprendi com a mĂŁe. Que ela, ouvindo as histĂłrias, ela contasse, nĂ©? E toda essa parte, tudo, essa parte... Mas, quando vocĂȘ prestou o vestibular, era um ano e vinte e dois? NĂŁo, era oitenta... Oitenta e dois. Oitenta e dois, eu acho que foi o vestibular. Claro que acabou. Ainda nĂŁo acabou isso, nĂ©? NĂŁo. Na faculdade? Um pouco, mas ninguĂ©m falava nada. Nem no meu curso? NĂŁo, papai. NĂŁo. E na prova nĂŁo foi tĂŁo grave nada tambĂ©m, nĂ©? NĂŁo, na prova do vestibular foi. JĂĄ tinha? JĂĄ tinha. Sim, porque os cursinhos, que era o professor que tinha os cursinhos, era a minha geração que dava aula. A gente sabia que tinha isso. Professores de histĂłria da minha geração, todos eles se formaram dentro daquele debaixo do mal tempo. E aĂ, naquela Ă©poca em que a MĂĄrcia fez o cursinho, eles jĂĄ falavam, porque jĂĄ estavam, nĂ©? Mas e a direta jĂĄ chegou a pegar na faculdade. NĂŁo foi a direta, nĂ©? NĂŁo, a direta jĂĄ foi um pouco, foi antes de... Eu acho que foi em 85? Ă, a ditadura terminou formalmente em 85, quando o Farnley assumiu a presidĂȘncia. Ă. Sim, porque o Tancredo morreu, nĂ©? Sim. E nĂŁo tinha sido. Morreu, quer dizer, atĂ© hoje eu acho que ele foi morrido. A ditadura jĂĄ Ă© de março de 83 atĂ© 1984. Ă, mas aĂ quando a MĂĄrcia jĂĄ estava mais grandinha, foi a Ă©poca que o PT começou a atirando, que a gente ia para os comĂcios do OlĂvio Dutra. Em 1967, sĂł semana. Em 1967, sĂł semana. E a gente ia, aĂ eu ia e carregava. Vamos para o comĂcio do OlĂvio. LĂĄ na esquina democrĂĄtica. NĂŁo sei. Naquela Ă©poca, o comĂcio era pacĂfico, nĂŁo tinha ninguĂ©m jogando bomba, ninguĂ©m. SĂł. Mas ele falava no comĂcio dele sobre a direta real ou nĂŁo? Sim, sim, sim. Mas na faculdade nĂŁo tinha nada de movimento? NĂŁo me lembro. NĂŁo, acho que nĂŁo tinha. Acho que na universidade nĂŁo tinha mais nada. NĂŁo me lembro. Foi criado assim, a partir de, acho que 69, 70, foi criado um processo de emborrecimento. Carregado. Das pessoas que estavam entrando na escola, naquela faixa etĂĄria, a partir de 5 anos, entĂŁo toda dĂ©cada de 70, praticamente toda, de 80, as pessoas foram emborrecidas. NĂŁo tinha estimulado mais leitura. Nada. E foi atĂ© hoje. Sabe, atĂ© hoje. Ă, se o governo nĂŁo Ă© para a gente ter conhecimento Ă© muito mais fĂĄcil do que se o governo nĂŁo Ă© para a gente se instituir, nĂŁo Ă©? Sim, sim. AĂ fica aquela situação assim, tu vai conversar, vai dar uma aula, as pessoas, os criaturas, eles que jĂĄ fazem 8 anos que nĂŁo dĂŁo mais aula. E eu quero que eles conheçam o que eu acho. O que eu acho. Eles nĂŁo conseguem entender o que elas falam. Parece assim que Ă© outra regiĂŁo. Ă, atĂ© porque se criou um negĂłcio assim, histĂłria nĂŁo Ă© uma coisa importante, nĂŁo Ă© uma matĂ©ria importante. HistĂłria, ecografia, isso aĂ nĂŁo Ă© uma matĂ©ria importante. E nĂłs, na faculdade, eu peguei isso aĂ no interinĂĄrio. A gente era obrigado a ir Ă aula que era organização civil, que era o nome daquela... Organização Social e PolĂtica do Brasil. Do Brasil. Eu tinha aula disso. Um horror. A gente ia, eu tinha que ir, mas Ă© um horror. Ă, claro. Ai, ai. Olha, era de arrepiar. A gente estava arrepiado na aula. Eu e a JĂąnia, a gente quase cutucava. Mas Ă© engraçado, nĂ©? Porque no inĂcio da Revolução teve movimento nas universidades. E no final da Revolução, mentimos. NĂŁo, mas o problema, sabe qual foi? Como Ă© que se diz a reação? NĂŁo sei a palavra certa. Contra qualquer movimento. Foi tĂŁo brutal. E nĂŁo ficaram com medo, nĂ©? Ă. Eu sei por mim. Claro, meu pai influenciou isso aĂ, porque eu conversei com ele. AtĂ© porque, assim, a gente tinha um exemplo. Se vocĂȘs querem ver um exemplo idiota. Eu tenho um exemplo. Eu estava com medo de nada porque nĂŁo tinha... Eu nĂŁo sabia nem o que estava. Sabe o exemplo do tio, nĂ©? Ah, sim. Meu tio era diretor do Instituto de Pesquisa BiolĂłgica. Foi fundador e morreu talvez se aposentou, sei lĂĄ, como diretor do Instituto. Meu tio nunca se envolveu com polĂtica. Ele era mĂ©dico, pesquisador. E quem influenciava? HĂŁ? NĂŁo, porque... Ele era funcionĂĄrio do Estado? Ele era funcionĂĄrio do Estado. Mas ele, assim, ele Ă© um cara que tem em ele o trabalho subletado dele. Ele era um cara que Ă© mĂ©dico, mas ele era sanitarista. Bom, entĂŁo Ă© assim, Ă© um cara afim de qualquer suspeito. Nunca se meteu em nada. Diretor do Instituto. Um dia, prenderam um cara na rua. NĂŁo sei porquĂȘ. Isso foi em 66, eu acho. Acho que foi em 66. Um cara, e dentro do bolso do cara tinha o nome do meu tio. Porque ele tinha ido lĂĄ no Instituto fazer alguma coisa e tinha o nome dele ali. Quando o cara foi preso, os caras invadiram a casa do meu tio de madrugada, tiraram ele da cama de pijama. Prenderam ele. Quatro. Botaram ele numa cela, sentado no frio lĂĄ. SĂł que naquela Ă©poca ainda nĂŁo tinha mais cinco. O meu pai e a minha tia, a minha tia, a mulher dele, chamou o meu pai e sĂł lhe aprenderam muito, eu nĂŁo sei porquĂȘ. AĂ o meu pai, junto com a colega dele lĂĄ, fizeram um movimento lĂĄ. E aĂ foram falar com o governador, que era o Meneghete, que era amigo do meu tio. Porque ele era uma autoridade, nĂ©? Ele era diretor do meu norte, lĂĄ no SaĂșde. Os caras tinham sido no Brasil inteiro. Foram lĂĄ e disseram pro governador eu nĂŁo sei o que estĂĄ acontecendo, mas prenderam o meu cunhado, assim, assim, assim. O governador chamou o delegado de polĂcia, o chefe da polĂcia e perguntou escuta o que aconteceu. Vou saber. Claro, o governador estava chamando. AĂ descobriram que tinham prendido o seu fulano lĂĄ, com o nome do meu tio, um papelzinho com o nome do meu tio no bolso. Ah, o governador subiu nas paredes. SerĂĄ que o menino colocou esse papelzinho lĂĄ no bolso? NĂŁo, acho que ele deve ter, ele deve, devia ter um bom, porque muita gente ia lĂĄ e aĂ perguntavam o nome, quem Ă© o nome. Botou no bolso. Muitas vezes tu bota no bolso uma coisa E ele era a referĂȘncia? E ele era a referĂȘncia. Bom, a polĂcia foi lĂĄ, o chefe de polĂcia foi lĂĄ, o meneguete foi lĂĄ. Sou o cara, meu tio. O meneguete fez um documento pĂșblico se desculpando pelo estado, pelo que tinha feito. SĂł que assim, sĂł que assim, as minhas primas, a Rosane e a Eliane eram pequenas, 66 anos, eram pequenininhas. Elas viram arrastar o pai assim de... De pijama? De pijama. Os outros nĂŁo viram, mas elas viram. Quer dizer que isso aĂ ficou na famĂlia um negĂłcio assim, claro, a gente sabia que nĂŁo tinha nada, a gente tinha certeza que nĂŁo tinha nada. Mas Ă©... Ă um troço deprimente, nĂ©? Pegar uma pessoa jĂĄ com uma certa idade, pegar, prender desse jeito, botar numa cela gelada, sentada no chĂŁo de pijama, e ficar lĂĄ sentado. E eles perguntam, mas por que que eu tĂŽ aqui? NĂŁo responderam. EntĂŁo vocĂȘ vĂȘ por que que as pessoas Ăł... E outras ficaram e depois se criou bastante essa coisa, nĂ©? Essa mentalidade que as pessoas jĂĄ ficaram cada vez mais duras. Ă, e aĂ eles aproveitaram tambĂ©m, assim, na Ă©poca, na dĂ©cada de 60 atĂ© 70, tinha o movimento hippie, nĂ©? Eles aproveitaram, os americanos aproveitaram pra fazer propaganda, era mĂșsica, era filme, era tudo assim. EntĂŁo a juventude foi, sabe, foi canalizada pra uma, nĂŁo pra uma coisa mais produtiva, mas uma coisa mais de alegria. Que nem hoje dessa, todo mundo sĂł quer festa. No meio de... De olhar com foco Ă queles que precisam. Ă, e tirando a liberdade vocĂȘ podia sair na rua, em restaurante, essas coisas, e estar tudo bem. NĂŁo havia essa bomba todo jornada, como tudo hoje Ă©. Ă. Mas vocĂȘ podia sair de casa, tipo, nĂŁo Ă©? NĂŁo, podia, mas atĂ© atĂ© depois, atĂ© eu saĂ e assumi lĂĄ, ali, sim, ali, podiam ir nos lugares pra lĂĄ. Mas nunca teve um movimento quanto a gente sabia que aquilo ali era uma gebração, nĂ©? Porque o governo foi eleito pelo Congresso, nĂŁo pelo povo. EntĂŁo, mas vocĂȘ ouviu falar que as pessoas nĂŁo podiam sair na rua, porque tinha... Pois Ă©, eu ouvi falar, tipo, tinha umas coisas, Ă©... SaĂsse pra um barzinho, tava ali, tipo, comemorando contra tal coisa, e tu ia ser preso. Se a gente tivesse, fizesse uma batida lĂĄ no bar, tu ia preso. NĂŁo, nĂŁo, foi assim a histĂłria. E tambĂ©m toca de aneocolisa, tambĂ©m. NĂŁo, isso aĂ sĂł no tempo da... No tempo da ditadura. A gente tinha que ter cuidado. A gente saĂa, que nem eu disse, a gente se reunia nos bares, umas coisas, mas a gente tinha que ter cuidado. A gente sabia onde a gente ia, inclusive, porque os donos do bar, dos bares, nĂ©? Tinha um restaurante lĂĄ na Benjamin Constant, ali, na travessa do Benjamin Constant, que era comum a gente ir pra lĂĄ. Todo mundo ia pra lĂĄ. Mas o cara era... Faixa nossa, nĂ©? Qualquer coisa que ele descobrisse, ele... Fechava. Fechava. Se vocĂȘ Ă© preso, assim, numa reuniĂŁo, no bar, nĂ©? Pra tu ser preso, tu tinha jĂĄ que fazer parte de um determinado grupo. Ele tinha que se juntar pro Rio Valentim. AĂ, o que eles faziam? Eles pegavam um, da linha, levavam lĂĄ pros coroes da ditadura, que eram os outros, e torturavam aquilo que dava pra ele entregar o dono. Quem Ă© mais que fazia parte do aparelho, nĂ©? Os aparelhos eram o lugar dos clandestinos, que eram as pessoas que... Tem bastante livros sobre isso. E eu tive um... se organizado, que acharam que eu conseguia... Tem um livro, em 1978, se vocĂȘs... Eu jĂĄ li. HĂŁ? Eu jĂĄ li. VocĂȘ jĂĄ me deu? Ah, pois Ă©. Aquele livro Ă©... Tu tĂĄ com ele? Eu tĂŽ com o que tu me deu, moderno, e o teu antigo. TĂĄ comigo os dois. Pode ver? Aquele livro Ă©... bem significativo. Se bem que, assim, tu entende tambĂ©m o mecanismo, agora tem esses livros todos dos filhos do... Do... Jornalista? Rubens Paiva. Rubens Paiva. Ă uma coisa muito, assim... Eu nĂŁo cresci a minha famĂlia, assim, meu pai e minha mĂŁe traĂram. NĂ©? NĂŁo tinha acontecido nada, nĂ©? Na minha casa falavam que tinha ditadura, que tinha gente morrendo, que tinha gente sumindo, que... Sabe? NĂŁo... AtĂ© a Copa do Mundo de 70, eu esqueci esse detalhe, foi usada para digamos assim fazer uma cortina de fumaça em cima do que tava acontecendo em 70. A Copa de 70 foi onde? NĂŁo foi na ItĂĄlia? Eu sei que nĂłs ganhamos no Uruguai. Eu fui campeĂŁo. Mas Ă© que foi a Copa do Mundo de 70. Pode procurar. Procura, mas eu nĂŁo lembro agora. Eu me lembro, assim, de ter sido... Tem vĂĄrias coisas que eles usaram, nĂ©? Tinha a outra Brasil, ano e o aldeixo. Era uma coisa que eles vendiam pra botar nos carros, assim, pra dizer, tipo, ano e o aldeixo. Depois teve a questĂŁo do ouro. O ouro que era o bem do Brasil. Com essa frase do ano e o aldeixo, a gente vai fazer uma comparação, nĂ©? Com o do Bolsonaro. Ă... Brasil acima de todos. E Deus acima de todos. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos. A gente vai fazer uma comparação dessa frase com essa do Bolsonaro. O Bolsonaro Ă© daquela Ă©poca. Ele participou daquilo lĂĄ. Participou daquilo lĂĄ. Inclusive naquele famoso atentado lĂĄ do Rio Centro, que explodiu a bomba no colo dos caras, nĂ©? Tudo bem que eles sĂŁo tĂŁo burros, que geralmente acontecem esses desastres. Eles planejam as coisas, mas nĂŁo planejam. Foi? Ele foi expulso do exĂ©rcito porque ele foi expulso do exĂ©rcito pra cĂĄ, nĂŁo sei quem lĂĄ. NĂŁo, Ă© falando da Marina. Mas ele disse que ele participou muito pouco. A Ășnica participação que ele teve, que ele contou, que ele fez a escolta de um embaixador preso. Mas ele disse que nĂŁo saia pra rua, que ele fez uma... Ele falou que nunca fez essa parte, que ele nĂŁo participou. A Ășnica coisa que ele participou foi a escolta de um embaixador, mas que ele vivia mais dentro do quartel. Ele nĂŁo ia pra rua, ele nem queria isso. Se envolver, nĂ©? Ele disse que aproveitou muito tempo, nĂ©? Mas nem todo municĂpio era favorĂĄvel. Ă, ele disse que ele nĂŁo conheceu muito o pessoal, nĂ©? Que ele nĂŁo gostava de ver todo mundo sendo preso, assim. Porque ele fazia no quartel. Ele saia muito pouco. A Ășnica vez Ă© que ele viu um tal de embaixador lĂĄ no Cidade Onde, que ele veio, que foi preso, e ele foi lĂĄ obrigado a fazer a escolta. Mas, tipo, ter que sair na rua pra aprender, essas coisas que nĂŁo... Que ele vivia normal, assim. Ele saia do... Quando ele tava aĂ de plantĂŁo, eu nĂŁo sei, nĂ©? Depois ele saia pro bairro, com a minha avĂł. Mas, tipo assim, ele nunca se envolveu mais. Ă. Eu saia... Existe uma divisĂłria, nĂ©? Entre quem se envolveu e quem nĂŁo se envolveu. Uhum. E quando eu lhe falo, Ă© que ele saia da ponte, porque o Bolsonaro Ă© um morredĂŁo. Porque ele... O meu avĂŽ tava na Ă©poca que ele fez ponte, nĂ©? Ele era da Marinha, mas ele saia mais na Ă©poca que o Bolsonaro fazia as coisas dele. Ele nunca se deu. O Bolsonaro jĂĄ resolveu. Ele nunca... Esse cara, ele nĂŁo vale um ovo. NĂŁo vale nada. Nem como inimigo, nem como... polĂtico, nem como... Muito menos que um presidente. Mas meu avĂŽ fala, tipo assim, o foco mesmo, na Ă©poca, era o jornalismo. O foco mesmo. Ah, sim, jornalismo. Quem era jornalista, quem era, podia sair. Mas quem era que tinha perseguição mesmo com o jornalismo? Ah, tem vĂĄrios... Tem vĂĄrios jornalistas aqui que eu vi. Muita gente morreu. Eu vou adivinhar... Eu vou agora... Posso voltar pra esquentar no final. As pessoas vĂŁo cair duras aqui comigo.
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